Eu
voltei, o presente me parece com velhos tempos.
Draconian, escuro, cama, desconfortável, sozinha, um pouco de Clarisse, um
pouco de Jazz, um pitada sal do mar. O QUE É, O QUE É? CLARA E SALGADA, CABE EM
UM OHO E PESA UMA TONELADA.
É o choro acumulado de duas semanas atrás, fui interrompida por mensagens furiosas
e tão tristes quanto eu gostaria de me expressar. Deveria ter aproveitado meu
tempo só de semana passada, mas esse sentimento nem apareceu. Porque?
Em forma de ajuda, me disseram há alguns dias que antes eu chorava porque não
entendia, hoje choro porque entendo. Não tinha pensado nisso, eu realmente não
deveria entender o que eu sinto, é uma cruz pesada que não dá pra dividir com
ninguém.
Diferente dos outros posts, hoje eu não quero morrer, não pensei nas mil formas
bizarras de me matar, nem me mutilar, nem estou cansada de nada também ( talvez
só de mim mesma). Hoje, eu estou enlouquecendo.
É um daqueles dias onde o ponteiro que deveria ser ligeiro no tic-tac dos
segundos, mas parece estar em absoluto silencio. É caros leitores fantasmas, eu
mudei. (?)
Hoje eu acordo, passo faço de leve um carinho na minha barriga, digo “bom dia”
, me levanto, tomo uma vitamina, preparo um almoço, fico grudada no celular, e
o dia passa.
As vezes parece difícil me entender, mas a verdade é que eu sou só medo.
Então enlouqueço de medo, do mais puro, poético e absoluto medo, eu enlouqueço.
O que eu quero? Eu quero deitar ali onde eu deveria estar, e chorar o mundo. Eu
quero chorar tanto que meus olhos vão inchar parecendo que levei uma surra. Eu
quero chorar sem ser interrompida, sem ninguém me dizer que tudo vai ficar bem,
sem conselhos, só chorar. Quero que o mundo me ouça, e chore comigo, quero
ouvir o choro sincero que tem guardado no coração de cada um, faríamos uma
sinfonia, seria a mais bela de todo o mundo, a mais pura, a mais sincera. Estaríamos
ali, só choro, só sentimento.
Chega.
É difícil esconder tentando
conter essa agua salgada corrente.
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