segunda-feira, 21 de julho de 2014

Eu não nasci pro amor, não nasci pro ódio, pra monogamia, para os conceitos normais de vida em sociedade. Eu não nasci para este mundo, talvez para outro, talvez para nenhum. Talvez quem sabe, apenas pra solidão.
Vejo meus antigos amores, e o que todos eles tiveram em comum em algum ponto foi um coração partido, eram gatinhos de três pernas achados na rua que eu acolhi, amei, e quando estavam domesticados eu os abandonava. Meus amores dizem muito sobre mim. Amo cada um deles, acompanho suas vidas, suas histórias, sinto falta da peculiaridade de cada um,  e cada um levou consigo um pedaço de mim, uma página da minha história. Com cada uma das pessoas que convivi interpretei um papel, hora “mãe”, hora amante, hora amiga, hora cruel sem coração que não sabe amar ninguém além de si mesma. Em minha pequena jornada de 21 anos e cinco meses aprendi a ler as pessoas, entende-las, prever seus próximos gestos. Nesse tempo, já não encontro mais surpresas, tudo me parece ordinário e entediante. Sinto como se minha alma envelhecesse 10 vezes mais rápido do que meu corpo.
Hoje interpreto o principal papel da minha vida, ser mãe. Entendo agora a ironia da vida, no momento eu que eu já não tinha mais limites, que vivi minha vida de acordo com a direção do vento tive que ir contra a tempestade. Passei por dores físicas inexplicáveis, emoções que oscilavam a cada segundo, e agora tenho de me manter sã. Hoje pesa a responsabilidade, o cansaço das noites sem sono. Hoje minha cabeça pesa, meu corpo deixou de ser meu, não me dá prazer, não estou vestida para me sentir linda do meu jeito. Fui o ventre que abrigou uma vida, hoje sou o corpo que a sustenta, o alimento, o conforto. Tenho que me manter sã. Sã para confortar, amar alimentar. Sã para educar, para não deixar que o vazio tome conta de minha alma, que a tristeza não transpareça em meu semblante. Será que deveria ser assim?
Tenho medo por mim, pela vida que veio através de mim. Temo pela incerteza de minha capacidade no compromisso eterno, de ser pra sempre mãe. Porque antes eu era perecível, agora eu sou eterna. 

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