Algo estranho soa na minha cabeça quando tento escrever aqui. São ondas de ansiedade e incerteza e ao mesmo tempo alivio fazendo vibrar um sentimento juvenil e inocente nas telas de LCD.
Então gente, é assim.
Há muito o que dizer, mas eu me esqueço as prioridades e fujo da ordem, caio no chão babando e deixo escapar tudo que pensei ou que senti, de repente é só algo inexprimível sem contexto, sem sentido. Um amontoado de anotações sem qualquer liga que as una.
Talvez eu só queria escrever mesmo. Me disseram que ao crescer, ao assumir responsabilidades tudo aquilo que eu sempre disse e/ou senti seriam substituídos pela caixa de correios cheia de boletos a serem pagos. Não é de todo mentira, devo admitir. Dedicamos muito a estes boletos. Mas eu nunca me atrevi a entregar essa criança que habita em mim. As vezes ela acorda e chora. Seu choro acorda a irmã mais velha que desperta em fúria a gritar. Ambas presas neste corpo adulto e sem vida própria. Tristeza e fúria, frustração plena. Como conseguimos chegar aqui? Tão infelizes e insatisfeitos?
Eu tenho várias teorias, mas esta muito cedo e é muito sábado para falar delas. Preparar um café para continuar a babar.
sábado, 8 de dezembro de 2018
terça-feira, 24 de outubro de 2017
Dialogo bem sucedido
Senta aqui pai,
Eu poderia me desculpar por te escrever post-mortem, mas
assim como você, detesto rodeios.
Eu sinto sua falta. Sempre a senti. Essa ausência de você
nunca foi um sentimento qualquer. Não era ausência de um pai, era sua ausência...
Era o Piragibe. Nada com você foi convencional, nenhuma experiência alheia
serve de parâmetro para descrever nossa relação e talvez por isto nunca escutasse
nem ao menos nos comparei aos outros. Eu sei que você iria me mandar parar de
puxa-saquismo. Sua falsa modéstia sempre foi indisfarçável.
Eu sinto sua falta. Sempre a senti. Indisfarçável. Talvez
esta palavra te defina melhor que qualquer outra. Apesar de parecer extremamente
enigmático foi a pessoa mais sincera que já tive o (des) prazer em conhecer. Suas
palavras doíam como as laminas que me cortaram durante minhas crises de
depressão na adolescência. Destas tirei duas lições importantes: Uma dor anula
a outra; Minha capacidade de superação surpreende até a mim mesma.
Eu sinto sua falta. Sempre a senti. Diferente do que
acontece com resto do mundo eu percebi isso a tempo e te procurei. E te
procurei. E te procurei. E procurei. E passei minha vida a te procurar. E você
passou a sua a me esperançar. E você passou a sua a me conversar. E você passou
a sua a me... Não sei o que você fez da sua vida. Sei do que fez comigo.
Eu sinto sua falta. Sempre a senti. Meus piores defeitos são
heranças de você, enquanto o resto do que sou é educação de rua. Internet
também ajudou devo confessar. Irascível, incontrolável, deprimida, rebelde,
inativa. Alguns adjetivos tatuados no nosso DNA. - E estou errada?
Eu sinto sua falta. Sempre a senti. Recordo-me de dois natais
ao seu lado. No que importa para este dialogo fizemos todos a famigerada ceia
de natal. Desastre. Você e a mamãe nunca se falavam e nem no natal única ocasião
que sentaríamos todos juntos fez questão de quebrar o constrangimento que
esmagava seus filhos naquela maldita mesa de madeira servida com pratos de
porcelana, taças de cristal e comida farta de primeira. Era o que importava
afinal, não era o que você sempre dizia? Que nós tínhamos tudo. Não havia motivo
para lamurias. Era a vida invejada por todos. Fecham as cortinas e palmas.
Eu sinto sua falta. Sempre a senti mas não se deve mentir
para os mortos, certo? Mas e o contrario? Quando nasci você disse que não tinha
a menor ideia do que faria comigo. Você e mamãe me planejaram, planejou meu
nascimento, vida, formação. Não me diga que não.
Eu sinto sua falta. Sempre a senti. Mesmo você pecando
imperdoavelmente quando me fazia acreditar que não importava o que eu me
tornasse profissionalmente desde que eu fizesse algo que me encantasse. Você
pecou, pecou muito. Mentiu descaradamente. Sua única e mais cruel mentira.
Importava. Sempre importou. A prova disso foi sua ausência ABSOLUTA nos últimos
anos por achar, SUPOR que eu não estava estudando. Ao descobrir, a beira da
morte sem ter forças para segurar meu telefone onde te mostrava o evento de
posse do diretório você se arrependeu, e chorou. Chorou como uma criança que
implora por um remédio para a dor. Disse estar explodindo de orgulho. Por quê?
Porque seu pecado foi se importar mais com um papel símbolo de um poder –
insignificante- do que com minha formação como pessoa. Você errou feio, rude. E
eu nunca vou te perdoar por isto.
Eu sinto sua falta. Sempre a senti. Mas eu nunca vou te
perdoar pelo abandono intelectual. Pelo buraco na formação que você me deixou.
Sempre foi um homem inteligente, um leitor assíduo e critico feroz – no sofá
assistindo a globo-. Me ensinou a questionar e.... foi embora. Nunca me
orientou em nada, não se deu ao trabalho de me presentear com um livro que
talvez eu fosse gostar. Me mandava estudar por e-mail e não perguntava ao menos
qual era meu nível de aprendizado. Leiam, Leiam, Leiam. Papiro. Papiro. Papiro.
Ler o que, pai? O símbolo perdido de Dan Brown? Ah. Para.
Eu sinto sua falta. Sempre a senti. E nunca vou te perdoar
por eu ter reprovado no primeiro ano do Ensino Fundamental. Nunca vou te perdoar
por ter levado todos os seus livros – agora são meus, ô, obrigada- e nunca vou te
perdoar por ter falhado tão miseravelmente em ser um pai.
Mas eu sempre vou sentir sua falta. Sempre, sempre. E eu te
odeio por isto. Eu te odeio por que hoje, com você morto eu sinto a sua ausência
com a mesma intensidade que sentia enquanto você ainda respirava. Eu te amei e
te procurei incondicionalmente. E por fim, quando mais precisei de você... Ausência.
Eu sinto sua falta. Sempre a senti. E sou forte. Sei é que sou forte mesmo. Sou
Getulina, Valentina, arretada. E com esse dialogo encerro meu pesar sobre sua
morte e te entrego minhas ultimas lagrimas. Hoje se completam quatro meses que
você não existe mais. Mas para mim sua inexistência já fez bodas.
Eu sinto sua falta. Sempre a senti. Mas te amaldiçoo por me
obrigar a crescer sozinha e fazer tantas escolhas erradas.
E ainda sinto sua falta Piragibe, o Gordo.
sexta-feira, 14 de julho de 2017
Anacrônico
Eu: Uma vez eu perguntei meu pai se ele estava confortável
estando "só”;
Ele riu;
E cabô.
Nunca soube
Ele: Uma crônica em três linhas. Rsrs
Eu: Eu nunca soube da boca dele
mas a resposta pra quem o conhecia era óbvia
Ele queria o melhor dos dois mundos
O conforto, aconchego e segurança da companhia, e o silencio da solidão ·.
Ele: Um pastor.
Nas escarpas ventosas
Sentado na pedra
aquecendo aos fracos raios de sol
A cara imóvel
De pedra
E se rindo por dentro
Das estripulias dos carneiros.
Os homens mais excêntricos do mundo eu tive do meu lado. .
Ele riu;
E cabô.
Nunca soube
Ele: Uma crônica em três linhas. Rsrs
Eu: Eu nunca soube da boca dele
mas a resposta pra quem o conhecia era óbvia
Ele queria o melhor dos dois mundos
O conforto, aconchego e segurança da companhia, e o silencio da solidão ·.
Ele: Um pastor.
Nas escarpas ventosas
Sentado na pedra
aquecendo aos fracos raios de sol
A cara imóvel
De pedra
E se rindo por dentro
Das estripulias dos carneiros.
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Eu não nasci pro amor, não nasci pro ódio, pra monogamia,
para os conceitos normais de vida em sociedade. Eu não nasci para este mundo,
talvez para outro, talvez para nenhum. Talvez quem sabe, apenas pra solidão.
Vejo meus antigos amores, e o que todos eles tiveram em comum em algum ponto foi um coração partido, eram gatinhos de três pernas achados na rua que eu acolhi, amei, e quando estavam domesticados eu os abandonava. Meus amores dizem muito sobre mim. Amo cada um deles, acompanho suas vidas, suas histórias, sinto falta da peculiaridade de cada um, e cada um levou consigo um pedaço de mim, uma página da minha história. Com cada uma das pessoas que convivi interpretei um papel, hora “mãe”, hora amante, hora amiga, hora cruel sem coração que não sabe amar ninguém além de si mesma. Em minha pequena jornada de 21 anos e cinco meses aprendi a ler as pessoas, entende-las, prever seus próximos gestos. Nesse tempo, já não encontro mais surpresas, tudo me parece ordinário e entediante. Sinto como se minha alma envelhecesse 10 vezes mais rápido do que meu corpo.
Hoje interpreto o principal papel da minha vida, ser mãe. Entendo agora a ironia da vida, no momento eu que eu já não tinha mais limites, que vivi minha vida de acordo com a direção do vento tive que ir contra a tempestade. Passei por dores físicas inexplicáveis, emoções que oscilavam a cada segundo, e agora tenho de me manter sã. Hoje pesa a responsabilidade, o cansaço das noites sem sono. Hoje minha cabeça pesa, meu corpo deixou de ser meu, não me dá prazer, não estou vestida para me sentir linda do meu jeito. Fui o ventre que abrigou uma vida, hoje sou o corpo que a sustenta, o alimento, o conforto. Tenho que me manter sã. Sã para confortar, amar alimentar. Sã para educar, para não deixar que o vazio tome conta de minha alma, que a tristeza não transpareça em meu semblante. Será que deveria ser assim?
Tenho medo por mim, pela vida que veio através de mim. Temo pela incerteza de minha capacidade no compromisso eterno, de ser pra sempre mãe. Porque antes eu era perecível, agora eu sou eterna.
Vejo meus antigos amores, e o que todos eles tiveram em comum em algum ponto foi um coração partido, eram gatinhos de três pernas achados na rua que eu acolhi, amei, e quando estavam domesticados eu os abandonava. Meus amores dizem muito sobre mim. Amo cada um deles, acompanho suas vidas, suas histórias, sinto falta da peculiaridade de cada um, e cada um levou consigo um pedaço de mim, uma página da minha história. Com cada uma das pessoas que convivi interpretei um papel, hora “mãe”, hora amante, hora amiga, hora cruel sem coração que não sabe amar ninguém além de si mesma. Em minha pequena jornada de 21 anos e cinco meses aprendi a ler as pessoas, entende-las, prever seus próximos gestos. Nesse tempo, já não encontro mais surpresas, tudo me parece ordinário e entediante. Sinto como se minha alma envelhecesse 10 vezes mais rápido do que meu corpo.
Hoje interpreto o principal papel da minha vida, ser mãe. Entendo agora a ironia da vida, no momento eu que eu já não tinha mais limites, que vivi minha vida de acordo com a direção do vento tive que ir contra a tempestade. Passei por dores físicas inexplicáveis, emoções que oscilavam a cada segundo, e agora tenho de me manter sã. Hoje pesa a responsabilidade, o cansaço das noites sem sono. Hoje minha cabeça pesa, meu corpo deixou de ser meu, não me dá prazer, não estou vestida para me sentir linda do meu jeito. Fui o ventre que abrigou uma vida, hoje sou o corpo que a sustenta, o alimento, o conforto. Tenho que me manter sã. Sã para confortar, amar alimentar. Sã para educar, para não deixar que o vazio tome conta de minha alma, que a tristeza não transpareça em meu semblante. Será que deveria ser assim?
Tenho medo por mim, pela vida que veio através de mim. Temo pela incerteza de minha capacidade no compromisso eterno, de ser pra sempre mãe. Porque antes eu era perecível, agora eu sou eterna.
sábado, 19 de outubro de 2013
Caridade
Me desculpa,
Eu não entendo nada de musica, não sei o nome de ninguém.
Por ser irracional, por sofrer pelos escravos.
Por não saber ouvir, e não conseguir falar.
Por querer sair as 3:00h da manhã sentar de pijama na calçada só pra sentir a noite;
Por ser possessiva;
Por morrer por dentro sem ninguém saber;
Por sempre desistir dos projetos;
Por não saber tocar nenhum instrumento;
Por não ser nada de mais;
Pelas pessoas me acharem linda, e só;
Por não entender nada de politica, economia, psicologia, filmes;
Por querer engolir o mundo inteiro de uma vez
Por sumir pra não te deixar triste;
Por tudo que eu sou, fui e serei - nada-
Por chorar do nada, e nunca bastar;
Pelo carma, tristeza e memorias que carrego
Por ser uma vadia;
Por não valer nada;
Filho, namorado, mãe, irmão, amigo;
Por favor, me desculpa.
Eu não entendo nada de musica, não sei o nome de ninguém.
Por ser irracional, por sofrer pelos escravos.
Por não saber ouvir, e não conseguir falar.
Por querer sair as 3:00h da manhã sentar de pijama na calçada só pra sentir a noite;
Por ser possessiva;
Por morrer por dentro sem ninguém saber;
Por sempre desistir dos projetos;
Por não saber tocar nenhum instrumento;
Por não ser nada de mais;
Pelas pessoas me acharem linda, e só;
Por não entender nada de politica, economia, psicologia, filmes;
Por querer engolir o mundo inteiro de uma vez
Por sumir pra não te deixar triste;
Por tudo que eu sou, fui e serei - nada-
Por chorar do nada, e nunca bastar;
Pelo carma, tristeza e memorias que carrego
Por ser uma vadia;
Por não valer nada;
Filho, namorado, mãe, irmão, amigo;
Por favor, me desculpa.
Implosão
Eu
voltei, o presente me parece com velhos tempos.
Draconian, escuro, cama, desconfortável, sozinha, um pouco de Clarisse, um pouco de Jazz, um pitada sal do mar. O QUE É, O QUE É? CLARA E SALGADA, CABE EM UM OHO E PESA UMA TONELADA.
É o choro acumulado de duas semanas atrás, fui interrompida por mensagens furiosas e tão tristes quanto eu gostaria de me expressar. Deveria ter aproveitado meu tempo só de semana passada, mas esse sentimento nem apareceu. Porque?
Em forma de ajuda, me disseram há alguns dias que antes eu chorava porque não entendia, hoje choro porque entendo. Não tinha pensado nisso, eu realmente não deveria entender o que eu sinto, é uma cruz pesada que não dá pra dividir com ninguém.
Diferente dos outros posts, hoje eu não quero morrer, não pensei nas mil formas bizarras de me matar, nem me mutilar, nem estou cansada de nada também ( talvez só de mim mesma). Hoje, eu estou enlouquecendo.
É um daqueles dias onde o ponteiro que deveria ser ligeiro no tic-tac dos segundos, mas parece estar em absoluto silencio. É caros leitores fantasmas, eu mudei. (?)
Hoje eu acordo, passo faço de leve um carinho na minha barriga, digo “bom dia” , me levanto, tomo uma vitamina, preparo um almoço, fico grudada no celular, e o dia passa.
As vezes parece difícil me entender, mas a verdade é que eu sou só medo.
Então enlouqueço de medo, do mais puro, poético e absoluto medo, eu enlouqueço.
O que eu quero? Eu quero deitar ali onde eu deveria estar, e chorar o mundo. Eu quero chorar tanto que meus olhos vão inchar parecendo que levei uma surra. Eu quero chorar sem ser interrompida, sem ninguém me dizer que tudo vai ficar bem, sem conselhos, só chorar. Quero que o mundo me ouça, e chore comigo, quero ouvir o choro sincero que tem guardado no coração de cada um, faríamos uma sinfonia, seria a mais bela de todo o mundo, a mais pura, a mais sincera. Estaríamos ali, só choro, só sentimento.
Chega.
É difícil esconder tentando conter essa agua salgada corrente.
Draconian, escuro, cama, desconfortável, sozinha, um pouco de Clarisse, um pouco de Jazz, um pitada sal do mar. O QUE É, O QUE É? CLARA E SALGADA, CABE EM UM OHO E PESA UMA TONELADA.
É o choro acumulado de duas semanas atrás, fui interrompida por mensagens furiosas e tão tristes quanto eu gostaria de me expressar. Deveria ter aproveitado meu tempo só de semana passada, mas esse sentimento nem apareceu. Porque?
Em forma de ajuda, me disseram há alguns dias que antes eu chorava porque não entendia, hoje choro porque entendo. Não tinha pensado nisso, eu realmente não deveria entender o que eu sinto, é uma cruz pesada que não dá pra dividir com ninguém.
Diferente dos outros posts, hoje eu não quero morrer, não pensei nas mil formas bizarras de me matar, nem me mutilar, nem estou cansada de nada também ( talvez só de mim mesma). Hoje, eu estou enlouquecendo.
É um daqueles dias onde o ponteiro que deveria ser ligeiro no tic-tac dos segundos, mas parece estar em absoluto silencio. É caros leitores fantasmas, eu mudei. (?)
Hoje eu acordo, passo faço de leve um carinho na minha barriga, digo “bom dia” , me levanto, tomo uma vitamina, preparo um almoço, fico grudada no celular, e o dia passa.
As vezes parece difícil me entender, mas a verdade é que eu sou só medo.
Então enlouqueço de medo, do mais puro, poético e absoluto medo, eu enlouqueço.
O que eu quero? Eu quero deitar ali onde eu deveria estar, e chorar o mundo. Eu quero chorar tanto que meus olhos vão inchar parecendo que levei uma surra. Eu quero chorar sem ser interrompida, sem ninguém me dizer que tudo vai ficar bem, sem conselhos, só chorar. Quero que o mundo me ouça, e chore comigo, quero ouvir o choro sincero que tem guardado no coração de cada um, faríamos uma sinfonia, seria a mais bela de todo o mundo, a mais pura, a mais sincera. Estaríamos ali, só choro, só sentimento.
Chega.
É difícil esconder tentando conter essa agua salgada corrente.
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